16 de outubro de 2014

O mundo e a bola: A Grande Albânia


Nacionalismo sempre foi uma questão em pauta no mundo da geopolítica, a qual não se restringe somente aos homens de terno e gravata, mas também aos que calçam chuteiras. Como já foi exposto no blog, os bascos e kosovares expressam frequentemente sua vontade de criar um país, contudo estes não são os únicos casos. Na semana que passou, mais um conflito foi posto em evidência: a relação da Albânia com a Sérvia, a qual extrapolou os limites éticos e ocasionou uma briga generalizada que interrompeu a partida entre as duas seleções pelas Eliminatórias da Euro 2016.

A confusão teve início quando durante a partida um drone com uma bandeira estilizada da Albânia invadiu o campo. Nela estava um território almejado pelos nacionalistas mais extremistas, que reivindicam a posse do que hoje é a Sérvia, Kosovo, Macedônia e Montenegro, ou como por eles chamado: a Grande Albânia.

Curiosamente, um terço da população albanesa vive fora da Albânia, uma causa geradora para tantos conflitos. Um enorme estopim para a briga contra os sérvios pode ser a independência (ou ao menos a tentativa dela) de Kosovo, episódio no qual boa parte de sua população (uma considerável de etnia albanesa) foi massacrada pelo governo da Sérvia até a intervenção da OTAN e da ONU.




Após contextualizar, e voltando ao cenário das Eliminatórias, o conflito sérvio-albanês veio a tona quando o sérvio Mitrovic dependurou a bandeira do drone. Foi o motivo perfeito para uma confusão generalizada envolveu não só os jogadores da Seleção da Albânia, mas também a torcida. Ao final, com alguns feridos e uma enorme intervenção policial, o árbitro sabiamente julgou necessário o fim da partida.

Por fim, o capitão albanês, Cana (da Lazio, nascido no Kosovo) alegou que os atletas apenas tentaram defender o símbolo de seu país e entrou em consenso com o capitão sérvio Ivanovic (do Chelsea) que a imagem passada não é a melhor para o esporte.

A UEFA, ao menos até o momento, decidiu não punir os envolvidos no caso; curioso, para a identidade que preferiu impossibilitar o confronto entre Ucrânia e Rússia, Gibraltar e Espanha e acolher Israel (país asiático) em sua confederação para evitar partidas conflituosas. O mais coerente e visando a paz seria que os dois adversários (não só dentro de campo) deveriam ficar, ao menos durante um certo tempo, sem se enfrentar.


Território aproximado da "Grande Albânia"
 
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