8 de maio de 2014

A taça é (por um piscar de olhos) minha


A taça da Copa do Mundo é o item mais cobiçado, tanto por torcedores como por jogadores, no mundo do futebol. Nesse contexto, fica claro que a exposição da taça nas capitais do Brasil atrairia um enorme público e que uma boa estrutura deveria ser oferecida. Cabe reconhecer, no entanto, que (como pude constar em minha visita nessa quinta feira, 8, quando esse símbolo veio a Vitória) a organização decepcionou e me senti um Charles Chaplin perdido em uma apressada linha de produção fordista que estimula cada vez mais a ideia do “ter” e não do “ser” e do “viver”.

Em Zurique
É nesse ambiente que se forma uma sociedade mais individualista e egocêntrica que vai a eventos como esse simplesmente tirar uma foto para se gabar com quem não teve a oportunidade. O mais preocupante, contudo, é constatar que a preparação decepcionante foi feita por uma enorme multinacional como a Coca-Cola, que pressionou todos os fãs de futebol a tirarem fotos sem ao menos ter dois segundo para contemplar a bela peça. Em contexto assim, não é de admirar que o comportamento social não mude e continuemos egoístas e orgulhosos por ter uma foto com a taça, mesmo que nunca a tenhamos apreciado.

Não é exagero afirmar que me arrependi de ter ido à exposição. Mesmo aí, exige-se cautela, visto que em minha viagem à Suíça em 2012 pude ir à sede da FIFA em Zurique, e vê-la mais de perto e por mais tempo do que nessa quinta. Ainda assim, cabe a ressalva de que no país do chocolate a demanda é bem menor, portanto, não há porque pressionar o admirador do objeto em questão. Então, não se trata de escolher entre uma estrutura complemente liberal no Brasil, onde muitas pessoas querem comparecer ao evento, ou uma desagradável como a que vi, mas sim de achar um meio termo.
Em Vitória

Por essa lógica seria aceitável que a Coca-Cola, juntamente da FIFA, se organizasse melhor dando o direito de escolha do visitante de tirar ou não a foto (sendo ela a oficial do evento ou pessoal, o que foi inviável de fazer). Essa, porém, é uma tarefa trabalhosa, visto que se deve agradar a todos igualmente. Sou favorável, portanto, a um esquema em que cada dupla (visto que o ingresso dava direito a um acompanhante) tivesse algo em torno de 10 segundos em frente à relíquia para gastá-lo como bem quisesse, seja somente admirando ou eternizando o momento.

Caso já tenha tido a oportunidade de já ver a taça, conte a sua experiência e compartilhe as emoções e a estrutura presenciada.

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