9 de julho de 2014

Todos fomos iludidos

Geração bem cuidada que cresceu unida, vence unida.

A maioria negará, mas a torcida brasileira em geral acreditava que seu time era capaz de ir além e conquistar a Copa do Mundo. O problema é que desde 2006/07 tinhamos evidencias de que isso não era verdade. Quando acabou a Copa da Alemanha e fomos eliminados pela França não tínhamos uma boa equipe para retomar os trabalhos: de Ronaldo, Ronaldinho, Robinho, Kaká, Adriano, Roberto Carlos e Cafu fomos à Luís Fabiano, Elano, André Santos, Maicon e companhia. Continuamos acreditando e caímos mais uma vez, em 2010, para a Holanda e geração seguinte era a esperança, mas ninguém a conhecia bem. Em 4 anos tivemos muitas mudanças e só as vésperas o Brasil montou um time dito competitivo. Thiago Silva, David Luiz, Neymar, Oscar, Marcelo, Hulk... Parecíamos ótimos, mas não éramos.


Nessa Copa recheamos a equipe de promessas, mas nada de experiência. Tínhamos a impressão de que novamente craques mundiais vestiam a amarelinha, mas atletas do leste-europeu e de clubes de médio porte da Europa (Bernard, Hulk, Luiz Gustavo, Júlio César, Maicon, Henrique, Hernanes etc) passavam longe das estrelas idolatradas de 2006, 2002, 98, 94 e por aí em diante.

Essa ilusão foi criada e a realidade passou longe. Ficamos “deitados eternamente em berço esplendido” enquanto a Alemanha acordou e se reergueu de uma fase nem tão ruim. Em 2002, mesmo vice da Copa, os alemães viram que era hora de mudança e fizeram um futebol com o melhor público do mundo, umas das melhores estruturas, a melhor equipe e o principal, a melhor escola.

Saudades quando o futebol brasileiro era referência.

Desde então criaram esquemas sensacionais, que funcionam em campo. Em 2010 foram um dos pioneiros no 4-2-3-1, que hoje joga a Seleção Brasileira e agora nossos algozes possuem um esquema inovador, sem atacante, sem falso 9: um time homogêneo. Lahm não é só lateral, nem só volante; Schürlle e Müller armam e marcam gols; Kroos e Khedira armam, finalizam e defender e o mais impressionante é perceber que nem o goleiro deles é só goleiro.

Não é do dia para a noite, nem só de vontade que se fazem Müllers, Özils e mais atualmente Götzes, Neuers e Krooses. Todos foram muito bem cuidados e lapidados, cuidados os quais apenas Neymar recebeu no Brasil. Não falta jogador e agora não falta estrutura, falta paixão e cuidados dia-a-dia.

Cadê os cuidados da CBF? Onde estão os técnicos com sistemas inovadores? E a paixão com estádios lotados todo fim de semana? O tratamento com as promessas também passa longe. O futebol brasileiro, infelizmente, hoje passa longe do alemão. Temos qualidade e competitividade no Brasileirão para passá-los, falta investimento e menos corrupção. O Bom Senso FC começou o trabalho, resta a CBF acatar e dar continuidade por um esporte melhor.

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